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Tributação de grupos de sociedades em Portugal: o que é o RETGS?


Quando várias empresas pertencem ao mesmo grupo empresarial, a lei fiscal portuguesa prevê um regime especial que permite tratar esse conjunto de sociedades como uma unidade económica para efeitos de tributação. Esse regime chama-se RETGS – Regime Especial de Tributação dos Grupos de Sociedades.

Este mecanismo permite que os resultados das diferentes empresas do grupo sejam considerados de forma conjunta para efeitos de IRC, possibilitando uma gestão fiscal mais eficiente.

  • Como funciona o RETGS

No regime normal de tributação, cada sociedade é tributada individualmente. Assim, se uma empresa tiver lucro e outra tiver prejuízo, a empresa lucrativa paga imposto, independentemente da situação das restantes.

Com o RETGS, os resultados das sociedades do grupo podem ser consolidados. Isto significa que os lucros de uma empresa podem compensar os prejuízos de outra, sendo o imposto calculado sobre o resultado global do grupo.

Este mecanismo pode permitir uma maior eficiência fiscal, sobretudo em grupos empresariais com várias sociedades que desenvolvem atividades complementares.

  • Requisitos para a aplicação do regime

Para que um grupo de sociedades possa aplicar o RETGS, é necessário que exista uma sociedade dominante e uma ou mais sociedades dominadas.

A sociedade dominante deve deter, direta ou indiretamente:
•⁠ ⁠pelo menos 75% do capital social das sociedades dominadas
•⁠ ⁠mais de 50% dos respetivos direitos de voto

Além disso, as sociedades que integram o grupo devem cumprir determinados requisitos, nomeadamente:
•⁠ ⁠ter sede e direção efetiva em Portugal
•⁠ ⁠estar sujeitas ao regime geral de IRC
•⁠ ⁠ter o mesmo período de tributação

  • Um regime opcional

A aplicação do RETGS não é automática. Trata-se de um regime opcional, pelo que cabe ao grupo decidir se pretende ou não aderir a este enquadramento fiscal.

Antes de optar pelo regime, é importante avaliar a estrutura societária existente, a situação fiscal das empresas e os potenciais benefícios ou implicações da sua aplicação.

  • O papel da sociedade dominante

No âmbito do RETGS, a sociedade dominante assume um papel central na gestão fiscal do grupo.

Cabe-lhe, entre outras funções:
•⁠ ⁠calcular o lucro tributável consolidado do grupo
•⁠ ⁠apresentar a declaração de IRC do grupo

Apesar desta consolidação fiscal, cada sociedade mantém a sua autonomia jurídica e continua a apresentar a sua própria declaração fiscal individual.

  • Responsabilidade pelo pagamento do imposto

Outro aspeto relevante é que as sociedades que integram o grupo podem ser responsáveis solidárias pelo pagamento do imposto devido.

Isto significa que, caso o imposto não seja pago, qualquer sociedade do grupo pode ser chamada a responder pelo respetivo pagamento.

  • Uma decisão estratégica

A utilização do RETGS pode representar uma ferramenta importante de planeamento fiscal e organização empresarial, permitindo uma gestão mais eficiente dos resultados dentro de um grupo de sociedades.

No entanto, a aplicação deste regime deve ser sempre analisada caso a caso, tendo em conta a estrutura do grupo, a atividade das empresas e os objetivos estratégicos do negócio.

Contacte-nos para saber mais.

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